PUBLICIDADE

Delatores da JBS: PGR queria acabar com PMDB

Gravações divulgadas por revista semanal mostraram bastidores do acordo de delação premiada de Joesley

Postado por: Sert News

30/09/2017 às 10h41 atualizado em 30/09/2017 às 10h41

Delatores da JBS: PGR queria acabar com PMDB
Empresário Joesley Batista perdeu a imunidade penal, após surgirem indícios de que ele omitiu dados relevantes à Procuradoria-Geral da República ( Fot

Prestes a fechar o acordo de delação premiada que lhe rendeu imunidade penal, Joesley Batista entrou no carro entusiasmado com a negociação envolvendo a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Pretendia amanhecer o dia seguinte em Nova York. O ânimo do empresário está registrado em uma conversa resgatada do gravador do sócio da JBS, divulgada na sexta (29) pela revista "Veja". O áudio sugere que ele havia acabado de entregar as gravações que fez do presidente Michel Temer (PMDB) e do senador Aécio Neves (PSDB).

Nessa nova peça, Joesley está no carro, a caminho do aeroporto, conversando com os advogados, Fernanda Tórtima e Francisco de Assis e Silva, e o executivo Ricardo Saud. Os três avaliam a reação dos procuradores ("eles gostaram, querem evitar o máximo mostrar que gostaram, mas a pressa deles mostra", diz Tórtima), especulam sobre o futuro e os efeitos da "bomba" que tinham acabado de soltar. Também sugerem ter mais gravações, que escolheram ocultar dos investigadores.

"Você quase pisou na bola, falou que gravou. Cai fora. Deixa só eu gravando", diz o empresário a seu funcionário. "Sorte que não encompridou a conversa. Deixa que sou eu porque aí, pronto. Um filho da p... De plantão e acabou", disse o empresário.

No final do áudio, de cerca de meia hora, Joesley diz que tem que abastecer o carro. Murmura: "Quatro horas e quarenta de gravação". Não contava que viriam a público os registros que iriam comprometem os benefícios legais, como a imunidade penal, que acordaram com a Justiça. O acordo de delação dos empresários suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no início de setembro. Joesley e seu irmão, Wesley Batista, estão presos na carceragem da Polícia Federal (PF) em São Paulo.

Em outro áudio, Joesley fala sobre como enxerga a "onda" de delações: "Começou os operadores, depois os empresários, agora os políticos. Depois dos políticos, não sei quem vai delatar. Vai ser o Judiciário". E ri.

Ainda especulando se Janot aceitaria ou não o acordo, o empresário conversa com seus advogados sobre as relações políticas do ex-procurador-geral da República. "Eles querem f... O PMDB, eles querem acabar com eles", diz o advogado Francisco de Assis e Silva.

O Planalto reagiu ao áudio considerando-o mais um sinal de que houve "armação" contra o presidente.

TAGS: PMDBJBS

0 Comentário (s)