PUBLICIDADE

Tradição nordestina, vaquejadas voltam a animar o Interior

Do surgimento, entre os séculos XVII e XVIII, até hoje, muita coisa mudou. Do tímido público restrito aos sítios e fazendas, o esporte ganhou força e passou a lotar as arenas

Postado por: Sert News

15/07/2017 às 11h12 atualizado em 15/07/2017 às 11h12

Tradição nordestina, vaquejadas voltam a animar o Interior
-

A 41ª Vaquejada de Juazeiro do Norte, realizada entre 6 e 9 de julho, na Terra do Padre Cícero, foi considerada, por organizadores e participantes, um "sucesso", com R$ 200 mil em prêmios. O circuito percorre cidades dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, com premiações totais que variam entre R$ 10 mil e R$ 350 mil.

Em 2013, foi publicada a Lei N° 15.299/2013, do então deputado estadual Wellington Landim (PSB), que regulamentava a vaquejada no Estado do Ceará e a classificava como "atividade desportiva e cultural".

Após muitos recursos, em outubro de 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu derrubar a Lei. Por seis votos a cinco, os ministros consideraram que a atividade impõe sofrimento aos animais e, portanto, fere princípios constitucionais de preservação do meio ambiente.

No mesmo mês, vaqueiros e trabalhadores de vaquejadas ocuparam a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para protestar contra a decisão do STF que tornou inconstitucional a prática do esporte no País. Com a mobilização em torno da prática, em novembro, o presidente Michel Temer sancionou, sem vetos, a Lei Nº 13.364/2016 que eleva rodeios, vaquejadas e outras expressões artístico-culturais à condição de manifestação cultural nacional e de Patrimônio Cultural Imaterial.

A mobilização continuou e, já em março deste ano, o Senado aprovou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) N° 67/2016, com o objetivo de derrubar a decisão do STF. A PEC, do senador Otto Alencar (PSD-BA), foi votada em dois turnos. No mês passado, o governador do Ceará, Camilo Santana, escreveu mais um capítulo desta história ao sancionar a Lei N° 7.730/2013, aprovada pela Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE), definindo a vaquejada como Patrimônio Cultural do Ceará. Assim sendo, as vaquejadas continuam a ocorrer. Mas a polêmica em torno delas continua. O conflito entre um meio ambiente saudável e o direito à cultura, que dominou a discussão no STF sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que derrubou a Lei cearense prossegue fora do Tribunal.

"Mais controvertido apresenta-se o conflito do direito ao meio ambiente com outros coletivos, como o do pleno exercício dos direitos culturais, exatamente o que ocorre na situação concreta", explicou em seu voto o ministro Marco Aurélio Mello, relator da Adin.

Considerada "tradição secular do Nordeste" entre os defensores da vaquejada ouvidos pelo Diário do Nordeste, esse é um dos argumentos mais recorrentes em defesa do esporte, destaca Marcus Lima, criador de cavalos, competidor e vice-presidente da Associação Brasileira de Vaquejadas (Abvaq).

Do surgimento, entre os séculos XVII e XVIII, até hoje, muita coisa mudou. Do tímido público restrito aos sítios e fazendas, sobretudo no Nordeste, região onde o esporte ganhou força, às arenas lotadas, com públicos que se equiparam às grandes partidas de futebol.

Dessa forma, assim como gera milhares de empregos, um dos argumentos dos seus defensores, a ligação entre a vaquejada moderna e o cotidiano do vaqueiro que pastoreia os animais do sertão teria se perdido. Essa é a opinião do historiador João Paulo Vieira. "Nos últimos anos, (as vaquejadas) foram mercantilizadas e perderam suas características originais", diz.

Segundo os críticos, o esporte pode até ser parte da cultura nordestina, mas, a prática é uma forma de tortura e não há maneiras de reverter isso.

FONTE: Diário do Nordeste
TAGS: Vaquejada

0 Comentário (s)