Professora é Presa em Flagrante por Racismo Contra Alunas no Rio de Janeiro

Foto de visuals na Unsplash

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Menina de 8 anos Vítima de Racismo Desiste de Ir à Escola

Uma criança de 8 anos, filha de Lorhane Abraão Sampaio, se recusou a voltar à Escola Municipal Estados Unidos, no centro do Rio de Janeiro, após ser vítima de racismo por parte da professora Cristiani Bispo Valeriano. A professora foi presa em flagrante na última sexta-feira (7) por injúria racial contra a menina e outra colega.

Relato das Vítimas

Durante a audiência de custódia, realizada no domingo (9), a prisão de Cristiani foi convertida em preventiva devido à gravidade das acusações e à posição de autoridade que a professora ocupava em relação às vítimas. A menina, que tentou retomar a rotina escolar, disse que não consegue mais frequentar a escola devido ao assédio constante das outras crianças, que perguntam sobre o incidente. Sua mãe, Lorhane, afirmou que buscará transferir a filha para outra escola e fornecer acompanhamento psicológico para ajudar na recuperação emocional.

Agressões e Denúncias

Segundo os relatos, a professora ofendia as alunas com comentários racistas, chegando a dizer que uma delas “morava embaixo da ponte” e que “fumava crack”. Além disso, Cristiani jogava bolinhas de papel nas meninas, chamando-as de “lixo”, e chegou a furar uma aluna com uma caneta. A mãe de uma das vítimas, Lorhane, contou que as crianças já haviam reclamado da professora anteriormente, mas as denúncias não foram devidamente investigadas pela escola.

Medidas das Autoridades

A Polícia Militar foi acionada na sexta-feira para atender a ocorrência de injúria racial. Cristiani alegou mal-estar e foi levada ao Hospital Municipal Souza Aguiar, onde permanece internada. A Secretaria Municipal de Educação afastou a professora de suas funções e instaurou uma sindicância para apurar os fatos. Em nota, a secretaria destacou que repudia qualquer forma de discriminação e que a professora pode ser demitida ao final da investigação.

Reflexão e Ação Contra o Racismo

Laura Tolentino, especialista em antirracismo e inclusão, ressaltou que o caso expõe um problema coletivo e histórico de racismo na sociedade. Ela enfatizou que atitudes racistas em sala de aula têm um impacto devastador na formação intelectual e emocional das crianças, afetando sua autoestima e desempenho escolar. Laura compartilhou uma experiência pessoal para ilustrar os efeitos duradouros do racismo na educação.

A defesa de Cristiani Bispo Valeriano afirmou que a professora não pode ser responsabilizada criminalmente por seus atos devido a problemas de saúde mental, alegando que ela estava em surto psicótico no momento das agressões. A Secretaria Municipal de Saúde não forneceu atualizações sobre o estado de saúde da professora.